12 novembro 2016

Resenha: Quando voltará a ser como nunca foi


Título: Quando voltará a ser como nunca foi
Título Original: Wann wird es endlich wieder so, wie es nie war
Autor: Joachim Meyerhoff
Editora: Valentina
Nº de páginas: 352
 4/5
Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.

Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica - e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas.

O livro Quando finalmente voltará a ser como nunca foi é narrado pelo Joachim Meyerhoff, um garoto de, inicialmente, sete anos, que mora no terreno de um hospital psiquiátrico, onde seu pai é o diretor.

Josse - como gosta de ser chamado - tem uma vida “normal” para os seus padrões de um garoto que não conhece outra realidade. Com sua mãe amorosa e doce, seus irmãos com seus estranhos hobbies, seu pai que muitas vezes está presente sem realmente estar, os pacientes com que, às vezes, convive e sua tão amada cadela.


Em uma mistura de experiências, cotidiano e autorreflexão, somos levados para o mundo de um garoto que cresceu com a loucura dentro e fora de casa, dentro e fora de si, com uma outra visão do mundo que conhecemos.

O título intrigante, a capa linda e a diagramação criativa da editora, Quando finalmente voltará a ser como nunca foi nos deixa muito ansiosos para a sua leitura.

Comecei o livro sem saber que se tratava de uma biografia. Fiquei muito surpresa por descobrir que as cenas absurdas e um pouco surpreendentes que lia haviam acontecido de verdade. Não sou muito fã de biografias, mas Josse narra suas experiências de uma maneira que eu nunca vi em nenhum outro livro desse estilo.

É difícil pra mim resenhar um livro de não-ficção (creio eu que esse seja o primeiro aqui no blog), mas vou tentar fazer o meu melhor para passar as sensações que obtive no decorrer da leitura.


Os personagens centrais são Josse, sua mãe, seu pai, seus irmãos e sua cadela. Cada um com suas particularidades, que vão sendo descobertas com o passar do livro.
A mãe de Josse, é uma italiana, que podemos classificar como a mulher clássica. Cuida do marido, dos filhos, da casa, com prazer, mas que também esconde algumas coisas.
Seu pai, é um médico psiquiatra que ama o que faz, mas que é um pouco relapso com relação a sua família. A relação de Josse com o pai foi uma coisa que eu gostei muito, porque, mesmo ele não dando a devida atenção a família, com seus livros e seus pacientes, ele e o filho são muito próximos. A relação do pai com sua mão é totalmente não convencional, coisa que vamos observando no decorrer do livro, mas que nos surpreende sempre.
Os irmãos não os típicos irmãos mais velhos que, raramente recebem nomes, fazendo com que a leitura passe uma relação de bastante familiaridade. Mesmo com as implicâncias, os irmãos cumprem seus papéis esperados.

O livro não conta a passagem do tempo de maneira normal. Cada capítulo é sobre um evento passado pelo personagem e, mesmo começando com ele bem novo, com sua percepção do mundo, a passagem dos anos não é marcada. Não sabemos que idade Josse tem em cada evento, até ele mesmo revelar. Uma coisa legal é que isso não implica em nada na narrativa, que flui de maneira natural.

Esse estilo de narrativa ao longo dos nos mostra o desenvolvimento do personagem, como sua mente mudou - não muito, para falar a verdade - e como suas ações foram amadurecendo. Isso é muito bom de acompanhar.

Outra coisa muito legal no livro é que, como se trata de uma biografia, Josse conta a história do presente, ou seja, depois de ter passado pelas experiências, colocando seus pontos de vista do futuro, como um homem adulto nas ações do seu eu criança e adolescente. Isso foi muito interessante pelo fato de termos duas visões, do Josse do passado e o do presente, na mesma ação.

Achei o livro interessante e muito peculiar. Porém, algumas coisas ficaram subentendidas no decorrer do livro, não sendo aprofundadas e me deixou um pouco confusa, isso me fez não gostar tanto.

Além disso, leitura no início é um pouco chata e maçante, mas logo que continuamos a ler, vamos nos apegando a história, que consegue ser envolvente e cativante.

Josse tem visões muito diferentes das coisas, coisa que é evidente logo na infância, comparando-o com garotos "normais" da sua idade. Provavelmente por conta do cenário que ele estava inserido e as pessoas que conviviam, mas a loucura, a morte e coisas do tipo, tem outro olhar em Josse. Ele é uma pessoa que eu teria o prazer de conhecer e ouvir palestrar/falar. Sua visão das coisas é muito original e diferente.

O livro foi surpreendente em muitos aspectos, principalmente no salto que deu no tempo e isso me deixou com uma leve sensação de vazio, mas não tirou o brilhantismo a história. Recomendo, mesmo para quem já gosta do gênero e para quem não gosta. Vale a pena.

2 comentários: