28 de fev de 2017

Carnaval Carioca


Sábado a noite. A musica tocava ao fundo, na tv, mulheres semi-nuas dançavam trajando grandes roupas com penas, perolas e adereços diversos que nem sequer cobria-lhe as partes intimas.  Eu estava de folga, minha namorada havia me deixado dias antes, agora nada mais importava, sentei na mesa de um bar e pedi uma dose de uísque, observei as pessoas ao meu redor, gostava de tentar imaginar suas vidas através de suas expressões.
Uma mulher que se sentava ao longe, me chamou a atenção. Ela tinha pele clara, cabelos longos que caiam de um rabo de cavalo, vestia um jeans surrado e um moletom que dizia com letras descascadas I <3 NY aparentava ter no máximo 18 anos. Seu sorriso era singelo, e em intervalos de segundos olhava para a tela do celular, como se estivesse aflita por não receber um sms. Um garçom aproximou-se, ela rejeitou educadamente e atendeu a ligação no primeiro toque. Ela sussurrava e em seus lábios surgiu um grande sorriso
 Terminei minha bebida, minha mente ainda não se embriagara com álcool o suficiente para me fazer esquecer a Sofhia.
A garota saiu com passos ligeiros e ritmados, eu a segui ao longe. Próximo a esquina do bar um garoto já a esperava, ele era alto, robusto com barba mal feita, aparentava ser mais velho que ela. De mãos dadas eles seguiram em direção a uma festa que aconteceria próximo dali, o ritmo carioca já se escutava, mesmo a varias quadras de distancia. Acendi um cigarro e continuei os seguindo. Pelo que pude ouvir seu nome era jessica. A menor de 50 metros da festa, eles pararam próximo a um beco. O menino sussurrou em seu ouvindo, passando a mao sob seus seios por baixo do moletom, ela retrucou, com o intuito de se afastar, um policial que rondava as ruas em época de carnaval, nada fez, parecia que aquela cena já havia se repetido diversas e diversas vezes. Ele era insistente, tirou sua calça com um único movimento, entre berros e tapas, lagrimas escorriam do rosto da garota que gritava por ajuda. mas nenhuma alma se arriscava a interferir, minhas pernas estavam bambas, nenhum rugido saia da minha boca, observei a cena paralisado. O garoto deu fortes tapas deixando hematomas na pele pálida, se despiu e a estuprou ali mesmo, diante dos meus olhos, a menina havia se cansado de lutar, seus membros não mais se moviam, seus olhos estavam semi serrados. O garoto subiu o zíper, se afastou do local com uma grande gargalhada.
E ali estou eu, sábado a noite, num beco do rio de janeiro, em pleno carnaval com uma garota semi nua coberta de sangue e de que sei apenas seu nome.

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